Clara fazia força para que seus pensamentos acompanhassem as batidas de seu coração que batia rápido como nunca. - Faz um tempo que eu queria te falar isso. Essa foi a frase que antecedeu o sorriso que se arquitetou na boca do homem que aparentemente sabia seu manual de instruções de cór. Depois de alguns segundos de perplexidade, Clara percebeu que seu queixo já encostava em seu colo quando finalmente organizou seus sentimentos: a indignação se misturava com a dor de um recado qeu veio tarde demais. Bruno tentava disfarçar a ansiedade, mas sua paciência havia esgotado. Ensaiara para esse momento por tantos anos, que já lhe falhavam a conta. E agora, estava ali, esperando a resposta que por tantos anos imaginou. Clara sorriu. Ensaiou começar uma frase por algumas vezes, quando finalmente a voz veio e ela apenas perguntou: - Desde quando? - Desde que te vi naquele ginásio, toda suada e com o tornozelo machucado. Desse momento ela se lembrava bem: tinha apenas 10 anos ...
"Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro." Fernando Pessoa